Dexametasona aumenta sobrevivência de bebês prematuros em ambientes de baixa renda

Dexametasona aumenta sobrevivência de bebês prematuros em ambientes de baixa renda

 

Os resultados de um novo ensaio clínico, publicado nesta sexta-feira (23) na publicação científica New England Journal of Medicine, mostram que a dexametasona – um glicocorticoide utilizada para tratar várias condições, entre elas problemas reumáticos e casos graves de COVID-19 – pode aumentar a sobrevivência de bebês prematuros quando administrada a mulheres grávidas com risco de parto prematuro em ambientes de poucos recursos.

O ensaio ACTION-I, da OMS, soluciona uma controvérsia sobre a eficácia dos esteroides pré-natais para melhorar a sobrevida de recém-nascidos prematuros em países de baixa renda. A dexametasona e medicamentos semelhantes há muito se mostram eficazes para salvar vidas de bebês prematuros em países de alta renda, onde cuidados de alta qualidade para recém-nascidos são mais acessíveis. Esta é a primeira vez que um ensaio clínico provou que os medicamentos também são eficazes em ambientes de baixa renda.

O impacto é significativo: para cada 25 mulheres grávidas tratadas com dexametasona, a vida de um bebê prematuro foi salva. Quando administrada a mães com risco de parto prematuro, a dexametasona atravessa a placenta e acelera o desenvolvimento pulmonar, tornando menos provável que bebês prematuros tenham problemas respiratórios ao nascer.

“A dexametasona é agora um medicamento comprovado para salvar bebês nascidos prematuramente em ambientes de baixa renda”, disse Olufemi Oladapo, chefe da unidade de saúde materna e perinatal da OMS e HRP, e um dos coordenadores do estudo. “Mas só é eficaz quando administrado por profissionais de saúde que podem tomar decisões oportunas e precisas e fornecer um pacote mínimo de cuidados de alta qualidade para mulheres grávidas e seus bebês.”

Mundialmente, a prematuridade é a principal causa de morte em crianças menores de 5 anos. Todos os anos, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuramente e 1 milhão morre devido a complicações decorrentes de seu nascimento precoce. Em ambientes de baixa renda, metade dos bebês nascidos com 32 semanas ou menos morrem devido à falta de cuidados disponíveis e com boa relação custo-benefício.

O estudo observa que os profissionais de saúde devem ter os meios para selecionar as mulheres com maior probabilidade de se beneficiar do medicamento e para iniciar o tratamento corretamente no momento certo – idealmente 48 horas antes do parto para dar tempo suficiente para completar as injeções de esteroides para efeito máximo. Mulheres que estão nas semanas 26-34 de gravidez têm maior probabilidade de se beneficiar com o esteroide, portanto, os profissionais de saúde também devem ter acesso ao ultrassom para determinar a data precisa de suas gestações. Além disso, os bebês devem receber cuidados de boa qualidade ao nascer.

“Quando um pacote mínimo de cuidados para bebês recém-nascidos – incluindo tratamento de infecção, suporte de alimentação, tratamento térmico e acesso a uma máquina de CPAP para apoiar a respiração – está em vigor em países de baixa renda, esteroides pré-natais como dexametasona podem ajudar a salvar a vida de bebês prematuros”, afirmou Rajiv Bahl, chefe da unidade de saúde neonatal da OMS e um dos coordenadores do estudo.

Conduzido de dezembro de 2017 a novembro de 2019, o ensaio randomizado recrutou 2.852 mulheres e seus 3.070 bebês de 29 hospitais de nível secundário e terciário em Bangladesh, Índia, Quênia, Nigéria e Paquistão.

Além de encontrar um risco significativamente menor de morte neonatal e natimorto, o estudo também descobriu que não houve aumento em possíveis infecções bacterianas maternas ao tratar mulheres grávidas com dexametasona em ambientes de poucos recursos.

 

Fonte: OPAS

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