Cateter em 3D reduz necessidade de intubação a pacientes com Covid-19
Uma peça impressa em 3D pelo Tecnopuc FabLab, laboratório de criatividade e prototipagem da PUCRS, possibilita que pacientes do SUS no Hospital São Lucas (HSL), em Porto Alegre, possam fazer uso do cateter de alto fluxo.
O instrumento, que auxilia no tratamento de pacientes com Covid-19, segundo os profissionais de saúde do hospital, pode reduzir em até um terço a necessidade de intubação, pois permite a ventilação mecânica.
De 183 pacientes no Hospital São Lucas tratados com o equipamento, um terço não precisou de intubação, segundo instituição. Equipe do São Lucas explica funcionamento de peça que ajuda no tratamento da Covid-19
Ele é um adaptador que possibilita a instalação do cateter de alto fluxo na estrutura de suplementação de oxigênio já existente em qualquer hospital. Com um calibre mais grosso, o cateter de alto fluxo permite que o paciente receba uma quantidade maior de oxigênio, com mais conforto e conseguindo inclusive se alimentar, o que é impossível com a máscara.
“Quando a gente interna um paciente que precisa de oxigênio suplementar, a primeira coisa que pode proporcionar é um cateter simples, uma mangueirinha”, explica o médico e agente de Inovação da Escola de Medicina da PUCRS, Giovani Gadonski, que participou da criação da peça.
Como funciona
Com o cateter de alto fluxo, é possível fornecer até 60 litros de oxigênio por minuto, sendo que, nos aparelhos convencionais, a quantidade é de 15 litros de oxigênio por minuto.
O adaptador impresso, explica o médico, liga o cateter de alto fluxo à suplementação de oxigênio, mistura com o gás comprimido e passa pelo umidificador. Um aplicativo permite que a equipe médica administre a quantidade de litros de oxigênio necessário.
“O grande problema do paciente da Covid é a quantidade de oxigênio que ele consegue absorver. Ele [o vírus] pega um grande percentual do pulmão. O que não foi afetado, ele aproveita só o que é ofertado”, resume Gadonski, que reforça que a PUCRS se dispôs a fornecer a peça criada para o uso em outras instituições.
‘Procedimento certo’, diz filha de paciente
O aposentado Jesuel Marques Ferreira, de 71 anos, é um dos pacientes que foi tratado com o uso do cateter de alto fluxo graças à peça desenvolvida pelo Tecnopuc.
Ele foi internado na UPA de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas, devido à piora, foi encaminhado ao Hospital São Lucas, direto para a UTI.
A filha de Jesuel, Joelma de Almeida Ferreira contou ao G1 que o pai ficou quase um mês internado, sendo metade no tratamento intensivo.
Ele perdeu 70% da capacidade do pulmão, segundo a filha. Jesuel fez uso do cateter de alto fluxo e não precisou ser intubado, segundo a equipe do HSL.
“Só o fato de não ter sido intubado mostra que foi o procedimento certo”, diz a filha.
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*Foto: Reprodução
