Três remédios para HIV estão com baixo estoque no Ceará

Três remédios para HIV estão com baixo estoque no Ceará

 

 

Pacientes temem descontinuidade de tratamento

Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) confirma que o estoque está abaixo e informou, em nota ao Sistema Verdes Mares, que a previsão de chegada do Lamivudina e do Raltegravir é dia 22 de dezembro, enquanto o Etravirina deve chegar até a primeira quinzena de janeiro de 2021.

O Kaletra, um medicamento para crianças com HIV/Aids, e entregue no Hospital São José, está completamente em falta. A Sesa informou que ainda não há previsão para o recebimento do remédio e está no aguardo do repasse pelo Ministério da Saúde. Questionado pelo Diário do Nordeste sobre os atrasos e a falta no repasse dos medicamentos, o Ministério da Saúde ainda não respondeu.

 

A distribuição do Kaletra, que está em falta, é feita no Hospital São José. A Sesa aguarda o repasse pelo Ministério da Saúde.Foto: Helene Santos

 

 

Devido ao baixo estoque, os usuários que deveriam receber o necessário para 90 dias estão recebendo para apenas 30. A distribuição fracionada prejudica o tratamento dos pacientes, de acordo com Melissa Medeiros, médica infectologista do Hospital São José (HSJ).

“Com a Pandemia da Covid-19, os pacientes se preocuparam em ir buscar seus medicamentos justamente com medo do contágio. E se esse período diminui de 90 para 30 dias, eles precisam ir mensalmente ao local de entrega”, reforça ela. A exposição ao novo coronavírus que deveria acontecer uma vez a cada três meses, agora, tem que ocorrer uma vez por mês.

Melissa, que acompanha pessoas que vivem com HIV no estado, aponta ainda outro problema: a pressão seletiva, que ocorre quando a ausência do medicamento faz com que o vírus HIV “entenda como ele funciona” e se torne resistente. Com isso, pacientes teriam que trocar seus remédios por outros, o que atrasaria o tratamento.

“Estamos muito preocupados, pois sem o repasse, as milhares de pessoas soropositivas que vivem no estado podem perder o controle do vírus no organismo”, teme Vando Oliveira, Coordenador da RNP+CE.

No ofício enviado ao Ministério da Saúde, a Rede Nacional frisa que “em plena campanha do Dezembro Vermelho, mês de luta contra a Aids, o Governo Federal vai na contramão dos direitos das pessoas com HIV, violando leis que tanto o movimento lutou para conquistar”.

Há uma semana, o Ministério da Saúde deixou vencer uma licitação de exames de genotipagem para pessoas que vivem com HIV, Aids e hepatites virais no Sistema Único de Saúde (SUS). A genotipagem é essencial para adequar o tratamento aos pacientes. A RNP+CE vê na suspensão dos testes uma “demonstração de irresponsabilidade do Governo”.

 

*Redação

*Foto: Divulgação

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