OPAS e OIM assinam acordo para melhorar saúde de 70 milhões de migrantes nas Américas

OPAS e OIM assinam acordo para melhorar saúde de 70 milhões de migrantes nas Américas

 

Mais de 70 milhões de migrantes que vivem na Região das Américas devem se beneficiar de um acordo conjunto assinado nesta sexta-feira (9) por Carissa F. Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e António Vitorino, diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Segundo o acordo, a OPAS e a OIM se concentrarão em intensificar as intervenções coordenadas para apoiar os países das Américas na abordagem da saúde e migração, sem deixar ninguém para trás.

Também garantirá uma maior defesa da inclusão das necessidades específicas dos migrantes na política de saúde e desenvolvimento em toda a Região, tanto no contexto da pandemia de COVID-19 e além.

“Os migrantes são uma das populações mais vulneráveis em nossa Região, enfrentando enormes barreiras no que diz respeito ao acesso aos cuidados de saúde dos quais precisam”, disse a diretora da OPAS, Carissa F Etienne. “A pandemia de COVID-19 é um forte lembrete de que ninguém está seguro até que todos estejam seguros e é por isso que este acordo entre OPAS e IOM nunca foi tão oportuno e importante”, acrescentou.

Saúde e migração

A pandemia de COVID-19 impactou a prestação de serviços de saúde nas Américas, que já registra mais de 17 milhões de casos e mais de 574 mil mortes devido ao vírus.

Embora os migrantes enfrentem as mesmas ameaças à saúde que qualquer outra pessoa, essas são agravadas por condições de vida precárias e falta de acesso a serviços básicos como água, saneamento e nutrição.

Os migrantes também têm maior probabilidade de enfrentar condições de trabalho precárias e superlotadas na economia informal, bem como barreiras legais, linguísticas e culturais que tornam a adesão às medidas de saúde pública durante a pandemia particularmente difícil.

A separação das redes de apoio, as dificuldades financeiras e o acesso limitado a suprimentos e medicamentos também ameaçam a saúde mental dos migrantes e pioram as condições pré-existentes.

Além da COVID-19, muitos migrantes nas Américas sofrem com uma série de doenças transmissíveis e não transmissíveis que requerem reconhecimento e tratamento urgentes.

Doenças como malária, tuberculose, HIV/aids, diabetes e hipertensão devem ser tratadas entre as populações migrantes.

O novo acordo tem o objetivo de melhorar o acesso à saúde para essa população vulnerável e apoiar os países na área de saúde fronteiriça, inclusive na preparação e resposta a emergências. Também visa aprimorar a ação em todos os setores, incluindo educação, bem-estar social e proteção para melhor planejar as intervenções de saúde com uma visão de curto, médio e longo prazo.

Migração nas Américas

O número de migrantes internacionais nas Américas chegou a 70 milhões em 2019. Desde 2015, esse fluxo migratório inclui mais de 5 milhões de venezuelanos que agora vivem em outros países do mundo, principalmente Colômbia, Chile e Peru. E desde 2018, uma nova tendência surgiu, consistindo em grandes grupos migrando da América Central para o México e os Estados Unidos.

Os impulsionadores da migração nas Américas incluem desigualdades sociais e econômicas, instabilidade política, conflitos e desastres ambientais. Embora muitos países da Região sejam fontes de emigração para países de alta renda nas Américas e na Europa, a América Latina e o Caribe também estão experimentando um aumento de migrantes da África e da Ásia. Isso coloca uma pressão adicional sobre os sistemas de saúde de muitos países com poucos recursos.

“Esta iniciativa foi criada precisamente para responder a estes desafios e vai ajudar as partes interessadas a coordenar e harmonizar ações para melhorar a saúde dos migrantes”, disse o diretor-geral da OIM.

 

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