Hospital usa pele de tilápia em crianças que nascem com dedos colados

Hospital usa pele de tilápia em crianças que nascem com dedos colados

 

Crianças que nascem com os dedos das mãos e dos pés colados, uma das características da síndrome de Apert, encontram agora uma alternativa de tratamento por meio da pele de tilápia. O Hospital Sobrapar, referência em cirurgias plásticas para pacientes com este e outros diagnósticos, passou a realizar o procedimento inédito no Brasil em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC).

O projeto das duas instituições prevê dez cirurgias – cinco delas já realizadas e com sucesso – e será ampliado. O hospital atua nas áreas de cirurgias plástica reconstrutora e crânio-maxilo-facial, atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também a pacientes em situação de vulnerabilidade socioeconômica de outros países.

“Ela [a pele] diminui o tempo da necessidade das famílias permanecerem em Campinas, diminui o número de curativos, que normalmente a gente troca todos os dias, e diminui a dor dessas crianças”, explica o cirurgião plástico Cássio Raposo, vice-presidente do Sobrapar.

A pesquisa ainda vai levar seis meses até ser concluída. Para Raposo, a técnica como integrante no tratamento pós-cirúrgico para os que têm a síndrome vai tomar uma proporção maior, podendo ser usada em outros centros especializados mundo afora.

“Esse curativo ficou bem sequinho, ele não reclama tanto. A cicatrização foi incrível. Não vejo a hora de ele terminar, de ter os dez dedinhos”, conta Luana Soares, mãe de um menino de 5 anos que fez a cirurgia e usou a pele.

Mais colágeno

A síndrome de Apert provoca deformidades craniofaciais e a sindactilia, que é a má formação nos dedos. A pele de tilápia entra na recuperação pós-cirúrgica, no lugar de curativos convencionais. Tem alta concentração de colágeno, que acelera e proporciona mais conforto na cicatrização.

Além disso, é um material facilmente encontrado no Brasil.

“Ele é o segundo maior peixe em cativeiro do mundo. Depois, a pele é um produto de descarte. Vão para o lixo 99%, 1% é usado em artesanato. Nós cativeiros em todos os locais do Brasil com uma produção gigantesca, e tem um ciclo produtivo muito rápido, em torno de seis meses”, explica o cirurgião plástico Edmar Maciel, pesquisador da UFC que estuda o uso da tilápia em várias áreas da medicina. (Fonte: G1)

 

*Foto: Reprodução / EPTV

 

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