Distanciamento social afeta qualidade de vida de pessoas com doença de Parkinson, diz estudo

Distanciamento social afeta qualidade de vida de pessoas com doença de Parkinson, diz estudo

 

Um estudo realizado desde abril do ano passado mostra os impactos da pandemia em pessoas com a doença de Parkinson. A professora Maria Elisa Pimentel Piemonte, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, comenta os dados da pesquisa em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. “A doença de Parkinson é complexa porque envolve alterações motoras e não motoras que, somadas, interferem na independência da pessoa na realização de atividades diárias, além de ser incurável e progressiva”, contextualiza a professora. Com isso, a pessoa acometida com a doença e seus familiares percebem a perda na qualidade de vida à medida que a doença se agrava.

“Nosso interesse na pesquisa foi investigar qual o impacto do estresse da pandemia e da interrupção de serviços de tratamento para as pessoas com a doença de Parkinson durante o distanciamento social”, explica Maria Elisa. Ela também esclarece que o estudo se iniciou no final de abril do ano passado e que as pessoas entrevistadas já relatavam estar dentro do isolamento social ao longo de sete semanas. “A gente considerou o quanto o distanciamento social poderia afetar as alterações motoras e não motoras da doença, a qualidade de vida, e demos um foco específico na saúde mental dessas pessoas”, ressalta. A partir disso, o estudo apontou que as pessoas acometidas com Parkinson relataram agravamento e alterações nos domínios considerados. “Essa piora em cada domínio é resultado de fatores combinados, ou seja, o distanciamento social tem um impacto multidimensional”, explica a professora.

Em comparação a outros países, de acordo com Maria Elisa, o Brasil ainda engatinha na telemedicina e muitos profissionais são resistentes a esse método de tratamento. “Outros países conseguiram se organizar para amparar essas pessoas a distância muito mais rápido do que aconteceu no Brasil”, revela. Na esfera nacional, o estudo esteve presente em 14 centros espalhados pelas cinco regiões do Brasil. “O estudo também apontou que o índice de vulnerabilidade da região tem um impacto mais importante que o individual”, destaca. Para Maria Elisa, é preciso analisar a complexidade dessas condições da doença de forma mais cuidadosa, rever as regiões com maior vulnerabilidade social que têm impacto sobre a doença e aprender com a situação para outros eventos que afetem a saúde da população.

*Com informações do Jornal USP

Foto: Shutterstock

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